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quarta-feira, 26 de junho de 2019

Jornais não falam em “tráfico”. São 39 kg de cocaina para uso pessoal?




A delicadeza com que os portais dos grandes jornais tratam o flagrante de tráfico internacional de drogas no avião presidencial reserva da comitiva de Jair Bolsonaro ao Japão, quando um dos militares foi detido com 39 kg de cocaína.

A palavra “tráfico”usada aqui com qualquer rapazote pega com meia dúzia de papelotes, com algumas poucas gramas, não se aplica a um militar pego com esta quantidade que, para você fazer ideia, é quase o peso de dois aparelhos de ar condicionado de 7 mil BTU. Sequer pode ser carregada por alguém sozinho, por muita distância.

Para uso próprio não era, porque, segundo a literatura médica, a quantidade suficiente de cocaína capaz de causar uma overdose, seguida de parada cardíaca é de 1,2 g. Portanto, o suficiente para 3.250 overdoses.

Nos jornais, não se usa tráfico nas manchetes dos principais sites de notícias.


É evidente a tentativa de “repartir” a responsabilidade pelo agente pelos outros governos. Ora, mas em nenhum deles foi transportada drogas com o fim de tráfico, ao menos que se saiba e isso nem é o principal.

É evidente que não haveria maior gravidade se o militar tivesse sido preso com alguns gramas, para consumir ele próprio ou com amigos, numa festinha. Não se trata de discutir vício pessoal.

Mas, sim, de discutir como um avião da comitiva presidencial, que tem a prerrogativa de ser “território brasileiro” no exterior, pode ser abastecido com uma enorme quantidade de droga, pela falta de controle o mais elementar em aviação, inclusive, como referi aqui, pela possibilidade de embarcarem-se, por falta de controle, até mesmo explosivos que ponham em risco de vida uma comitiva presidendial.

É fora de dúvida que se tratou de tráfico e essa, além da falta de controle, além da falta de segurança no avião, é a notícia.

Que nossa imprensa evita, de toda forma, assumir.

Fonte: tijolaco

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Juristas internacionais pedem libertação de Lula e anulação do julgamento

O juiz Baltasar Garzón, que condenou Pinochet por crimes contra a humanidade, é um dos signatários do manifesto / Ramiro Furquim | Sul21


Em manifesto, signatários denunciam ao mundo que ex-presidente é preso político e que foi vítima de uma conspiração

Reproduzido de Brasil de Fato

Treze juristas de renome internacional, com destacada atuação na luta pelos diretos humanos no mundo e em seus países, divulgaram nesta segunda-feira (24) um manifesto em defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, classificando-o de preso político e clamando por sua libertação e pela anulação do julgamento.

Assinado por juízes, professores universitários e advogados, o manifesto afirma que as revelaçõe do site The Intercept Brasil, mostrando o conluio entre o ex-juiz Sérgio Moro e a força tarefa da Lava Jato para condenar Lula sem provas, comprovam a existência de uma “conspiração política” contra o exp-presidente.

“O Supremo Tribunal Federal tem agora o dever de retirar todas as consequências destas gravíssimas irregularidades que conduziram a uma condenação injusta e ilegal e, consequentemente, libertar Lula e anular a sua condenação”, diz o documento.

O texto afirma ainda que a luta contra a corrupção é tão importante quanto a democracia e o Estado de Direito. “Mas no caso de Lula, ela foi usada para alimentar estratégias que o eliminassem do jogo político, a fim de permitir que Bolsonaro chegasse ao poder e, em seguida, ‘recompensasse’ Sérgio Moro, nomeando-o ministro da Justiça”, afirma o mmanifesto.

Entre os signatários da carta estão o ex-juiz espanhol Baltasar Garzón, que condenou o ditador chileno Augusto Pinochet pelos crimes contra a Humanidade; o advogado Jean-Pierre Mignard, um dos principais conselheiros jurídicos do presidente da França Emmanuel Macron; e o professor estadunidense Bruce Ackerman, editorialista do New York Times, membro da Academia Americana de Artes e Ciências e nomeado pela revista Foreign Policy um dos 100 pensadores mais influentes do mundo.
Leia a íntegra do manifesto:

“Lula é um preso político. Tem de ser libertado e seu julgamento tem de ser anulado.”

Éramos poucos, em 2018, quando advertimos que o processo contra Lula era parte de uma vontade, por qualquer meio e a qualquer custo, de colocá-lo fora da corrida para as eleições presidenciais que se aproximavam.

Esta estratégia foi bem sucedida, já que ela levou à eleição de Bolsonaro.

As recentes revelações do jornalista Glenn Greenwald e sua equipe derrubaram todas as máscaras. As investigações e o julgamento de Lula foram tendenciosos desde o início. Sérgio Moro não só conduziu o processo com parcialidade como comandou de fato a acusação, desafiando as regras de procedimento mais fundamentais no Brasil.

Na prática, ele manipulou os mecanismos da delação premiada, orientou o trabalho do Ministério Público, exigiu a substituição de uma procuradora que não o satisfazia e dirigiu a estratégia de comunicação do Ministério Público.

Sabemos também, através destas revelações, que tal estratégia foi levada adiante de forma secreta, em estreita colaboração com o Ministério Público.

Isso se soma ao fato de que Sérgio Moro haver grampeado os telefones dos advogados de Lula e decidido, por sua própria iniciativa, não cumprir uma decisão de um desembargador ordenando a libertação de Lula, violando a lei de forma flagrante.

Apesar de todos esses esquemas, Sérgio Moro teve de se resignar a condenar Lula por “fatos indeterminados”, dada a inexistência material de provas que o implicassem diretamente neste caso de corrupção. Ao fazer isso, tornou Lula um preso político em função do que deve ser considerado, diante dessas novas revelações, como uma conspiração política.

O Supremo Tribunal Federal tem agora o dever de retirar todas as consequências destas gravíssimas irregularidades que conduziram a uma condenação injusta e ilegal e, consequentemente, libertar Lula e anular a sua condenação.

As autoridades brasileiras devem tomar todas as iniciativas necessárias para identificar os responsáveis por este gravíssimo abuso de procedimento.

A luta contra a corrupção é hoje um assunto essencial para todos os cidadãos do mundo, assim como a democracia e o Estado de Direito, mas no caso de Lula, ela foi usada para alimentar estratégias que o eliminassem do jogo político, a fim de permitir que Bolsonaro chegasse ao poder e, em seguida, “recompensasse” Sergio Moro, nomeando-o ministro da Justiça.

Os signatários deste apelo ressaltam que os beneficiários desta conspiração demonstram apenas desprezo pelo interesse geral dos brasileiros, pelas liberdades públicas, pelos direitos dos povos indígenas e, além disso, pela democracia.

Assinam:

Bruce ACKERMAN, Sterling Professor of Law and Political Science, Yale University

John ACKERMAN, Professor, Universidade Nacional Autónoma do México (UNAM)

William BOURDON, Advogado (Paris)

Mireille DELMAS MARTY, Professora, Collège de France

Joan GARCÉS, Advogado (Madrid)

Baltasar GARZÓN, Advogado (Madrid)

Louis JOINET, Juiz, primeiro advogado-geral honorário da Cour de Cassation (França), antigo presidente do grupo de trabalho da ONU sobre detenção arbitrária e da Comissão dos Direitos Humanos

Wolfgang KALECK, Advogado (Berlin)

Henri LECLERC, Advogado (Paris)

Christophe MARCHAND, Advogado (Bruxelas)

Jean-Pierre MIGNARD, Advogado (Paris)

Philippe TEXIER, Juiz, conselheiro honorário na Cour de Cassation (França), antigo presidente do Comité dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais das Nações Unidas

Philippe WEIL, Professor, Universidade de Paris 1-Sorbonne.

Edição: João Paulo Soares

Fonte: midianinja

sábado, 22 de junho de 2019

ANTES DE SEREM ALVOS DE VAZAMENTOS, DELTAN E LAVA JATO CELEBRAVAM DIREITO DE JORNALISTAS PUBLICAREM INFORMAÇÕES VAZADAS ILEGALMENTE




DESDE QUE O INTERCEPT começou a publicar a série de reportagens demonstrando conduta irregular da força-tarefa da Lava Jato e do então juiz – agora ministro – Sergio Moro, os defensores da operação vêm adotando uma postura de criminalização do jornalismo, tendo o próprio ministro se referido ao Intercept como “site aliado a hackers criminosos”.

Essa tentativa de nos colar a criminosos foi denunciada por diversos grupos de defesa da liberdade de imprensa – como o Comitê para a Proteção dos Jornalistas, Repórteres sem Fronteiras e a Abraji –, que emitiram comunicados condenando a estratégia de Moro e das autoridades brasileiras de usar intimidação e ameaças para impedir a realização de nosso trabalho jornalístico.

Hoje, nós decidimos publicar na nossa newsletter alguns trechos inéditos do arquivo da #VazaJato para mostrar como, antes de serem alvos de vazamentos, os procuradores da força-tarefa enfatizavam – em chats privados com seus colegas – que jornalistas têm o direito de publicar materiais obtidos por vias ilegais, e que a publicação desses materiais fortalece a democracia.

Deltan Dallagnol, nominalmente o coordenador da força-tarefa, era com frequência o maior entusiasta dessas garantias. O apreço de Deltan pela liberdade de imprensa se deve, possivelmente, ao fato de que a Lava Jato se valeu, por anos, de vazamentos de trechos de delações premiadas e outros materiais confidenciais contidos nos autos das investigações como ferramenta de pressão contra políticos e empresários alvos da força-tarefa.


Vejam essa conversa revelada agora pelo TIB: em novembro de 2015, num chat chamado PF-MPF Lava Jato 2, enquanto discutiam medidas para coibir vazamentos de informações da força-tarefa (“alguns vazamentos tem sido muito prejudiciais”), Deltan alertou seus colegas que utilizar o poder processual para investigar jornalistas que tenham publicado material vazado não seria apenas difícil mas “praticamente impossível”, porque “jornalista que vaza não comete crime”.

Deltan estava certo. A decisão judicial da 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região diz claramente: “o jornalista que divulga trechos de investigação policial que corre em sigilo não comete nenhum crime.” A decisão diz ainda que “Não se trata, por certo, de pretender punir a pena e a boca que, no exercício de nobre profissão, revelam, mas a mão de quem, detentor de dever de preservação do sigilo de informações, a usa para reduzir a nada a autoridade da decisão judicial e as garantias constitucionais.” Ou seja: cometem crime os funcionários públicos que vazam informações que deveriam eles mesmos proteger – policiais, procuradores, juízes… – e não os jornalistas que as publicam.

Há cerca de um ano, em maio de 2018, Deltan e seu time redigiram e publicaram um manifesto em defesa das virtudes da liberdade de expressão – elaborado para proteger um dos procuradores. Ele estava sendo ameaçado de punição por ter publicado um artigo com duras críticas à Justiça Eleitoral. Os procuradores criaram um grupo de chat no Telegram – até agora inédito – chamado Liberdade de expressão CF. Durante a redação do manifesto, Deltan ressaltou um ponto crucial para eles à época, e que é central ao trabalho jornalístico que nós estamos realizando sobre as condutas da força-tarefa e de Moro:

Deltan – 17:15:22 – “Autoridades Públicas estão sujeitas a críticas e tem uma esfera de privacidade menor do que o cidadão que não é pessoa pública.”


O argumento de Deltan é precisamente correto – ainda que para o procurador ele deixe de valer quando a autoridade pública em questão é ele próprio. Curiosamente, o ministro do STF Luiz Fux discorda do Deltande hoje.

Fux já se pronunciou sobre isso no próprio Supremo: “Esta Corte entendeu que o cidadão que decide ingressar no serviço público adere ao regime jurídico próprio da Administração Púbica, que prevê a publicidade de todas as informações de interesse da coletividade, dentre elas o valor pago a título de remuneração aos seus servidores. Desse modo, não há falar em violação ao direito líquido e certo do servidor de ter asseguradas a intimidade e a privacidade.” In Fux We Trust.

Cidadãos privados têm direito à privacidade absoluta. Mas aquelas pessoas que detém o poder – como juizes, procuradores e ministros – “estão sujeitas a críticas e tem uma esfera de privacidade menor.” Esse é um princípio no qual acreditamos enfaticamente e que vem norteando nossa reportagem desde que começamos a trabalhar nesse arquivo.

Deltan ofereceu argumento similar em 2016, quando defendeu a decisão de Moro de tornar públicas gravações telefônicas do ex-presidente Lula. Em defesa do então juiz, Deltan argumentou corretamente que o direito à privacidade das autoridades não se sobrepõe ao interesse do público de saber o que aqueles que detém o poder fazem e dizem em situações privadas – isso que ele estava defendendo um juiz que divulgou um grampo ilegal, algo muito mais sério do que a atitude de whistleblowers.

Outros membros da força-tarefa, antes da publicação das reportagens pelo Intercept, compartilhavam do entusiasmo de Deltan pelo vazamento de documentos governamentais secretos que expõem o comportamento das autoridades. Os procuradores expressaram também sua admiração pelos whistleblowers, como Daniel Ellsberg e Edward Snowden, que tornam públicos documentos secretos comprovando irregularidades ou corrupção por parte das autoridades.
3.053 pessoas estão falando sobre isso

Em Janeiro de 2017, os procuradores lamentaram o fato do Brasil ter perdido posições no ranking de percepção da corrupção publicado pela Transparência Internacional, e expressaram admiração pela Dinamarca, que lidera o ranking. Após publicar um link para o ranking num chat no Telegram chamado “BD”, a procuradora Monique Cheker (que não pertence à Lava Jato em Curitiba) explicou que o sucesso dos esforços de combate a corrupção na Dinamarca se devem porque o país – ao contrário do Brasil – valoriza e protege as fontes que expõe corrupção (os whistleblowers).


Monique – 08:04:22 –https://www.transparency.org/news/feature/
corruption_perceptions_index_201
Monique – 08:05:19 – Saiu o índice de percepção da corrupção de 2016. Brasil caiu 3 posições. Aliás, 2/3 dos países caíram de posições. Dinamarca ainda liderando.
Monique – 08:20:47 – É a matéria que saiu ontem.
Monique – 08:21:39 – Aqui
Monique – 08:25:45 – Esse artigo antigo explica o sempre sucesso da Dinamarca e atribui uma das causas ao fato do país incentivar os “whistle-blower”: http://budapesttimes.hu/2013/03/19/why-denmark-always-finishes-on-top/
Livia Tinoco – 08:33:49 – Infelizmente, estamos muito, muito longe do modelo da Dinamarca
Monique – 08:43:25 – “Many companies also make use of so- called “whistle-blower” systems that have become very popular in Denmark”.
Monique – 08:44:07 – Enquanto aqui no Brasil há “complexa” discussão se o delator é imoral ou não.


O artigo elogiado pelos procuradores explica os motivos do sistema político dinamarquês ser tão pouco corrupto. Há nele o seguinte discurso, proferido por um embaixador dinamarquês:


“Na Dinamarca nós temos uma cultura política muito inclusiva, e tanto nossas instituições públicas quanto privadas são altamente transparentes, o que faz com que seja fácil, por exemplo, responsabilizar políticos e empresas por irregularidades cometidas.

A mídia tem um papel fundamental no sistema de integridade na Dinamarca, e é muitas vezes chamada de ‘o quarto poder do estado’, que tem o papel de fiscalizar os outros três, garantindo que eles se comportem da forma correta… Muitas empresas também empregam os chamados “sistemas de whistle-blower“, cada vez mais populares na Dinamarca. Isso significa que, se uma pessoa tem conhecimento de algum tipo de corrupção ou desvios éticos que acredita que devem ser tornados públicos, essa pessoa pode denunciar isso – inclusive de forma anônima.”

Nós concordamos em absoluto com os princípios defendidos, em ambientes privados no Telegram, por Deltan e seus colegas: jornalistas não cometem crimes ao apurar e publicar reportagens baseadas em informações obtidas ilegalmente, mas sim contribuem para o fortalecimento das instituições e da cultura democrática; aqueles que detêm poder público sacrificam sua privacidade em nome da transparência; e a ação dos whistleblowers (o vazamento ilegal de informações demonstrando corrupção por parte de autoridades) é de importância vital para o bom funcionamento das instituições. São esses os princípios que norteiam o trabalho do Intercept e nossas reportagens sobre esse arquivo (leia nosso editorial e entenda).

Procurada por nós, a força tarefa disse que “não teve acesso aos materiais citados pelo site e, por isso, tem prejudicada sua possibilidade de avaliar a veracidade e o contexto dos supostos diálogos. Os integrantes da Força Tarefa pautam suas ações pessoais e profissionais pela ética e pela legalidade.”

Não importa o que Deltan, Moro e seus colegas digam sobre isso hoje. Eles estão apenas virando a mesa para defender seus próprios interesses. Isso não anula ou diminui a validade dos princípios fundamentais nos quais acreditamos – os mesmos defendidos por eles no passado e que, hoje, querem destruir.

Fonte: theintercept

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Novas cenas do caso Neymar e Najila virão à baila pelas mãos da polícia francesa




As investigações sobre a acusação de estupro contra Neymar podem ter novos elementos. De acordo com o jornal francês “L’Équipe” de hoje (20), a Polícia Judiciária de Paris obteve as imagens das câmeras de segurança do hotel onde a modelo Najila Trindade diz ter sido estuprada em maio.

A publicação diz que as câmeras dos corredores do hotel filmaram o atacante brasileiro chegando e saindo do local. Uma fonte próxima à investigação disse ao jornal que as gravações podem “determinar se o atleta se comportou de maneira anormal em sua chegada ou partida”

A polícia francesa apreendeu os vídeos como parte de um pedido de cooperação internacional enviado pelas autoridades judiciais do Brasil. Mas, no momento, não há qualquer investigação em curso na França, uma vez que o caso foi registrado no Brasil.

Neymar foi acusado de estupro no fim de maio. O caso foi registrado na 6ª delegacia de defesa da mulher, em Santo Amaro, em São Paulo, o fato teria ocorrido dia 15 de maio, em Paris.

Najila Trindade acusa o jogador do PSG de ficar agressivo durante um encontro e, mediante violência, praticou relação sexual sem o seu consentimento.

O caso segue em investigação. O quarto advogado da modelo, Cosme Araújo Santos, pediu à Polícia Civil uma acareação entre Najila e Neymar.

De UOL

terça-feira, 18 de junho de 2019

Whatsapp espanhol enviava até 3,3 milhões de mensagens ilegais por semana para eleger Bolsonaro

(foto ilustrativa photomix – pl)


O espanhol Luis Novoa, dono da Enviawhatsapps, confirmou que empresários brasileiros contrataram programa de sua agência para fazer disparos de mensagens em massa, pelo Whatsapp, em favor do então candidato Jair Bolsonaro (PSL) durante a campanha eleitoral de 2018. Em gravação obtida pelo jornal Folha de S.Paulo, Novoa afirma que só foi descobrir do uso político quando algumas linhas telefônicas utilizadas passaram a ser cortadas pelo aplicativo de mensagens.

Segundo a reportagem, “empresas, açougues, lavadoras de carros e fábricas” brasileiras contrataram os serviços de Novoa. Até então, ele disse achar normal, pois muitas empresas utilizam os disparos pelo Whatsapp para fazer marketing comercial.

“Mas aí começaram a cortar nossas linhas, fomos olhar e nos demos conta de que todas essas contratações, 80%, 90%, estavam fazendo campanha política”, diz o espanhol. Perguntado se faziam campanha para um partido político, Novoa responde: “Eram campanhas para Bolsonaro”.
Caixa 2

Os cortes das linhas se deve à proibição, pelo próprio Whatsapp, do envio em massa de mensagens. A legislação eleitoral brasileira também proíbe empresários de fazer doações para campanhas políticas. O caso, agora confirmado, foi revelado em outubro de 2018, pelo mesmo jornal.

À época, cada contrato de “pacote de mensagens” podia custar até R$ 12 milhões. A rede de lojas Havan, de Luciano Hang, estaria entre as empresas envolvidas no escândalo, que ficou conhecido como “caixa 2 do Bolsonaro“. A operação, arquitetada para interferir no resultado do segundo turno das eleições presidenciais, teria envolvido o envio de centenas de milhares de mensagens, em favor do então candidato Bolsonaro e com conteúdos negativos ao opositor, Fernando Haddad (PT).

Questionado, o empresário espanhol negou envolvimento com campanhas políticas no Brasil. “É mentira, não trabalhamos com empresas que tenham enviado (mensagens de) campanhas políticas no Brasil”, afirmou Novoa.

Mas numa gravação “sem permissão” de uma “conversa informal”, o empresário assume o uso político, ainda que não com a participação direta da campanha de Bolsonaro. “Estávamos tendo muitíssimos cortes, fomos olhar os IPs, era tudo do Brasil, olhamos as campanhas, eram campanhas brasileiras”. Segundo a Folha, os brasileiros compraram cerca de 40 licenças do software da agência espanhola. Cada linha pode disparar até 500 mensagens por hora – portanto, o pacote permitia até 20 mil disparos por hora com conteúdo relacionado às últimas eleições. Com isso, o pacote espanhol era capaz de enviar até 3,3 milhões de mensagens por semana em favor da campanha eleitoral de Bolsonaro.
Confissão

Em vídeo postado nas redes sociais ainda durante a campanha para o primeiro turno das eleições de 2018, empresários apoiadores de Bolsonaro afirmam que fizeram contribuição ilegal para a campanha do agora presidente. Em vídeo, Luciano Hang e Mário Gazin, dono de uma rede varejista que leva o seu nome, pedem votos para Bolsonaro. “Primeiro turno, Bolsonaro. Pra não ter escolha, pra nós não termos que gastar mais dinheiro, pra não ficar todo mundo gastando para o segundo turno”, diz o dono das Lojas Gazin.
Apuração

Ainda em outubro passado, o PT entrou com ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cobrando a apuração das denúncias de caixa 2 em benefício de Bolsonaro. Oito meses depois, ninguém foi ouvido no processo. Segundo reportagem da Folha, a área técnica do tribunal informa ainda não haver decisão quanto a pedidos de depoimentos de testemunhas, nem a Polícia Federal enviou relatório da investigação aberta sobre o tema.

O processo está nas mãos do corregedor-geral eleitoral, ministro Jorge Mussi. Se comprovado o crime de caixa 2, a ação poderá resultar na cassação da chapa vencedora, – Bolsonaro presidente e o general Hamilton Mourão, vice –, por abuso de poder econômico.

A investigação não apenas não evoluiu, como Mussi excluiu do processo o empresário Peterson Rosa Querino, dono da agência Quickmobile, também suspeita de prestar serviço de disparos em massa pelo WhatsApp em favor da campanha do candidato da extrema-direita. O empresário foi procurado pela Justiça, em três tentativas, e não foi encontrado. Em abril, O PT recorreu da decisão, pedindo para que Querino fosse notificado em outro endereço. O ministro negou, alegando que o pedido foi apresentado fora do prazo.

Advogados do PT, Eugênio Aragão e Marcelo Schimidt entraram com mandado de segurança contra a decisão de Mussi. Eles alegam haver indícios de que Querino registrou em documento recente um endereço onde não residia, impossibilitando que fosse localizado “É nítida a tentativa do representado Peterson Querino de se furtar à execução da lei”, afirma a defesa petista. O mandado de segurança aguarda decisão do ministro do TSE Edson Fachin, que também ocupa uma das cadeiras do Supremo Tribunal Federal (STF). (Da RBA)

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Telegram debocha de “Hacker aqui” e pede prova de invasão hacker




Ontem (12), foi informado que um suposto hacker invadiu o grupo do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) no Telegram, aplicativo de mensagens rival do WhatsApp. Segundo a Istoé, o suposto hacker teria escrito que acessa “quem quiser e quando quiser”, além de se identificar como tal escrevendo “hacker aqui” e ainda utilizar expressões como “outrossim”. Hoje (13), o Telegram respondeu a acusação em tom de deboche e pediu provas.

O mesmo se aplica a qualquer um que diz ser o Pelé: peça uma prova na hora

O Telegram está em evidência: após vazamento de conversas realizadas entre o então ministro da Justiça Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol feito pelo The Intercept, o aplicativo tem deixado claro que não foi objeto de ataque hacker e indica que os usuários teriam caído em algum tipo de golpe.

No Twitter, o Telegram escreveu: “Se um ‘hacker aqui’ lhe disser que pode quebrar a Verificação em Duas Etapas do Telegram, peça que ele prove. (O mesmo se aplica a qualquer um que diz ser o Pelé: peça uma prova na hora)”.

Polícia Federal diz que Deltan foi alvo único

A Polícia Federal identificou nesta quinta-feira (13) que o procurador Deltan Dallagnol foi o único que teve dados capturados, segundo a Folha.

Para a Polícia Federal, aconteceu uma a ação foi orquestrada, por um mesmo grupo, que mirou a Lava Jato. Além de Deltan, houve tentativa de captura entre outros alvos: três outros procuradores de Curitiba, três procuradores do Rio, dois de São Paulo, quatro de Brasília, o juiz Flávio de Oliveira, do Rio, a juíza Gabriela Hardt, de Curitiba, o desembargador Abel Gomes, relator da Lava Jato do Rio em segunda instância, e o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot.

Fonte: tecmundo